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Tutor é preso em flagrante por manter 18 animais em situação de abandono.

Acumulação compulsiva motivada por luto familiar desencadeou severa negligência sanitária no bairro Clube de Campo.

Dicma Santo André
Tutor é preso em flagrante por manter 18 animais em situação de abandono.

Homem é Indiciado em Santo André Após resgate de 18 animais em Imóvel Insalubre
Na manhã desta quarta-feira, 28 de outubro de 2026, uma operação conduzida pela Dicma (Delegacia de Investigações sobre Crimes contra o Meio Ambiente de Santo André) resultou na prisão em flagrante e no indiciamento de um homem de 42 anos pelo crime de maus-tratos a animais. A ação policial ocorreu em uma residência localizada na Rua Cuitelão, no bairro Clube de Campo, em Santo André, na Região Metropolitana de São Paulo. Sob a coordenação da equipe policial e do investigador Kerman Domingos, a operação culminou no resgate de 18 animais mantidos em condições de severa insalubridade e abandono.
A equipe policial foi acionada nas primeiras horas do dia após receber uma denúncia anônima instruída com registros em vídeo que demonstravam o sofrimento dos bichos. No endereço indicado, os agentes confirmaram a gravidade da negligência sanitária. Ao todo, 18 vidas estavam em risco: oito cães (com relatos locais apontando que se tratavam de animais de raça) e dez galinhas. De acordo com depoimentos de testemunhas coletados pela polícia, os animais estavam sem acesso regular a água e alimentação há cerca de duas semanas. O chão do imóvel estava inteiramente tomado por fezes e urina acumuladas, exalando um forte odor perceptível da via pública, além de apresentar uma severa infestação de pulgas.

Os desdobramentos do caso revelaram contornos sociais complexos atrelados à saúde mental. Presente no imóvel durante o resgate, o pai do indiciado, um aposentado de 69 anos, prestou esclarecimentos e contextualizou a situação à equipe policial. Segundo o familiar, o filho enfrenta um quadro grave de distúrbios psicológicos decorrentes do luto. O homem de 42 anos perdeu a esposa há cerca de um ano e meio, em meados de 2025. O comportamento de abrigar cães começou logo após o falecimento como uma tentativa de enfrentamento emocional, mais especificamente uma acumulação compulsiva, que se agravou drasticamente nos últimos meses.
"Ele é um menino bom, vai na igreja. Não existe essa história de vender cachorro, ele dava. Mas avisei que ele não poderia deixar os cachorros na garagem, pois latem e incomodam os vizinhos. Avisei que poderia dar problemas para ele, e infelizmente ocorreu essa situação", declarou o pai do indiciado durante a apuração policial.
Apesar das declarações da família de que as doações eram informais e sem fins lucrativos, a vizinhança da Rua Cuitelão já vinha manifestando forte preocupação. Moradores relataram que o tutor não aparecia de forma constante na residência há semanas, configurando o abandono. Incomodados com os latidos na garagem e o mau cheiro, vizinhos haviam registrado queixas anteriormente via Disque-Denúncia (telefone 181). Como o canal previa um prazo de averiguação regular de até 30 dias, a comunidade acionou diretamente a delegacia ambiental devido ao risco iminente de morte dos animais. A linha de investigação da Polícia Civil mantém em aberto a averiguação sobre o funcionamento irregular de um canil clandestino na propriedade.

O delegado titular da Dicma, Fabio Dal Mas, e os investigadores coordenaram o manejo dos animais para garantir assistência imediata. O delegado enfatizou a diretriz da especializada de estruturar o suporte veterinário antes de efetuar as remoções, assegurando um destino adequado. Os oito cães resgatados foram submetidos a uma triagem e encaminhados para acolhimento temporário sob a tutela de organizações não governamentais (ONGs) parceiras da região e protetores independentes cadastrados, onde passarão por tratamento para tratar a desnutrição e parasitas antes de estarem aptos para adoção. As dez galinhas ficaram sob a responsabilidade e os cuidados de uma médica veterinária especializada no manejo de aves.
O tutor de 42 anos foi autuado em flagrante delito e encaminhado à carceragem da Polícia Civil. Ele permaneceu detido e foi colocado à disposição do Poder Judiciário para passar pela audiência de custódia. No ordenamento brasileiro, o crime de maus-tratos a cães e gatos é tipificado pelo Artigo 32 da Lei Federal nº 9.605/1998, modificado pela Lei Sansão (Lei nº 14.064/2020). A legislação prevê pena de dois a cinco anos de reclusão, além de multa pecuniária e a proibição definitiva da guarda de novos animais. Por se tratar de reclusão, o indiciado não tem direito ao arbitramento de fiança em sede policial, dependendo das deliberações do juiz de plantão.

As autoridades relembram que a cooperação popular por meio de denúncias é fundamental para combater crimes ambientais. Em Santo André, relatos de abusos, abandonos ou locais insalubres podem ser encaminhados anonimamente pelos canais oficiais da Prefeitura no aplicativo Colab, pela Ouvidoria Geral no telefone 0800 019 1944, diretamente à Dicma pelo número (11) 4421-3269, ou de forma digital via Delegacia Eletrônica de Proteção Animal (DEPA).

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