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Lama, terra e liberdade: Os primeiros passos do elefante Sandro no santuário de MT.

Aos 54 anos, o animal concluiu uma viagem de 1.600 km de Sorocaba até Mato Grosso e já explora seu novo lar na Chapada dos Guimarães.

Zoo de Sorocaba/Santuário dos Elefantes
Lama, terra e liberdade: Os primeiros passos do elefante Sandro no santuário de MT. Zoo de Sorocaba/Santuário dos Elefantes

A longa caminhada de Sandro: a saga completa, os bastidores jurídicos e o resgate do último elefante de Sorocaba


A transferência do elefante asiático Sandro, de 54 anos, encerra um dos capítulos mais complexos e polarizados da história da conservação e dos direitos animais no Brasil. No dia 18 de setembro de 2026, às 13h, o imponente mamífero cruzou os portões do Santuário de Elefantes Brasil (SEB), na Chapada dos Guimarães (MT), tornando-se o primeiro macho acolhido pela instituição. Para trás, Sandro deixou 44 anos de história no Parque Zoológico Municipal Quinzinho de Barros, em Sorocaba (SP), e uma feroz batalha judicial de 6 anos repleta de brechas e disputas políticas. 




Nascido no início da década de 1970 nas florestas da Ásia, Sandro (Elephas maximus) foi capturado ainda filhote e trazido ao Brasil por companhias circenses. Durante a juventude, viveu acorrentado e sob a severa rotina dos espetáculos. Em 1979, aos 14 anos, Sandro cruzou o caminho do tratador Lucílio Alves de Araújo em um picadeiro. O animal recusava-se a executar os truques tradicionais; preferia roubar os objetos de cena e empurrar as pessoas de forma dócil e travessa, o que lhe rendeu o primeiro apelido de "Trombadinha". Com sinais de desgaste provocados pelo cativeiro itinerante, Sandro foi retirado do circo e acolhido pelo zoológico de Sorocaba em 18 de agosto de 1982, que na época iniciava uma fase de expansão. 




Em Sorocaba, o animal, carinhosamente apelidado pelos funcionários de "Gordão" ou "Sandrão",  tornou-se o maior símbolo do parque, chegando a consumir 250 quilos diários de alimentos, divididos em 5 refeições balanceadas compostas por capim triturado, brotos macios, frutas, sucos e água de coco gelada nos dias quentes. Em 1995, o zoológico recebeu a elefanta Haisa, também resgatada de circos. Embora nunca tenham gerado filhotes, o casal dividiu o mesmo recinto por 25 anos em profunda conexão afetiva. No entanto, em 18 de novembro de 2020, Haisa faleceu devido a problemas crônicos de artrose. A partir desse dia, Sandro tornou-se o último elefante da cidade e entrou em isolamento social completo, o que desencadeou alertas globais de bem-estar animal.




Sandro e Haisa ainda juntos no Zoo de Sorocaba. 


A morte de Haisa motivou o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e a ONG Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal a ingressarem com uma Ação Civil Pública em dezembro de 2020exigindo a transferência imediata de Sandro. O caso arrastou-se por anos devido aos reiterados recursos da prefeitura de Sorocaba. Em abril de 2022, a prefeitura conseguiu sua primeira brecha quando a Justiça negou o pedido liminar alegando falta de provas iminentes. A reviravolta ocorreu em abril de 2025, quando uma nova decisão ordenou a transferência e fixou multa diária de R$ 2.000 em caso de descumprimento. Em agosto de 2025, um laudo pericial apontou o uso inadequado de cerca elétrica e a ausência de exames no zoológico, o que levou o Ibama a autuar o parque em dezembro de 2025, estipulando uma multa diária de R$ 1.100 pelas inconformidades do recinto. A decisão definitiva veio em 18 de junho de 2026, quando a 2ª Câmara Reservada ao Meio Ambiente do TJ-SP autorizou a transferência, publicando o acórdão no dia 23 de junho de 2026 com prazo de 45 dias para a saída e isentando o município dos custos.

Nos bastidores técnicos, a gestão do prefeito Rodrigo Manga alegava que o animal era um idoso cardiopata, que o estresse da viagem rodoviária de longa distância representava risco iminente de morte e que o município estava investindo na ampliação física do recinto. Em contrapartida, os laudos do MP e de ativistas provaram que o espaço de Sorocaba era microscópico se comparado aos 1.500 hectares do santuário, que os exames profundos de Sandro estavam defasados desde 2013 e que ele já havia perdido completamente a dentição devido a problemas alimentares crônicos. 


No dia 12 de setembro de 2026 (sábado), uma enorme caixa de aço pesando 10 toneladas foi instalada no recinto de Sorocaba. Utilizando técnicas de condicionamento operante com reforço positivo (frutas e estímulos verbais), Sandro entrou voluntariamente na estrutura, sem necessidade de sedação. Entre os dias 13 e 15 de setembro, manifestantes contrários à mudança fizeram vigília na frente do zoológico, defendendo que o elefante era um patrimônio cultural vivo da cidade, o que gerou relatos de agressões verbal e físicas contra integrantes da equipe do santuário. Finalmente, em 16 de setembro (quarta-feira às 10h), as portas da caixa foram lacradas e um mega guindaste de 250 toneladas içou a estrutura por cima dos muros históricos do Quinzinho de Barros. O caminhão prancha partiu sob forte escolta da Polícia Militar e da Guarda Civil Municipal. Paralelamente, o MP-SP abriu procedimento para apurar atos atentatórios promovidos por lideranças políticas locais que teriam tentado insuflar os protestos para paralisar a execução da ordem judicial. 




O comboio percorreu exatamente 1.615 quilômetros ao longo de dois dias e meio. O trajeto monitorado por telemetria e câmeras termais incluiu paradas programadas a cada duas horas para que os veterinários oferecessem água, capim fresco e fizessem exames clínicos de batimento cardíaco. No dia 18 de setembro de 2026, às 13h, Sandro pisou em solo mato-grossense. Como o santuário abriga apenas fêmeas (Bambi, Guillermina, Mara, Maia, Rana e Baby) e não adota práticas de reprodução, Sandro foi encaminhado para uma ala exclusiva de machos asiáticos, que permite contato visual e comunicação acústica total com as fêmeas através das cercas divisórias. Poucas horas após o desembarque espontâneo da caixa, Sandro começou a jogar terra avermelhada do cerrado sobre as costas. Segundo Raphael Bontempi, presidente do SEB, esse comportamento reduz os movimentos estereotipados e repetitivos gerados por décadas de cativeiro urbano e estresse, marcando o início da autonomia de sua nova vida em liberdade. 




O ecossistema do santuário e os detalhes da manada fêmea

Com o resgate de Sandro, o santuário totaliza 13 animais resgatados ao longo de sua história. As seis moradoras fixas que dividem as áreas amplas de cerrado são:


  • Maia: Conhecida por ser dócil, extremamente cooperativa com as equipes veterinárias e apaixonada por frutas, especialmente mangas.
  • Rana: Apresenta excelentes índices de recuperação e exibe comportamento ativo de caminhada, adaptada totalmente à vegetação nativa.
  • Mara: Resgatada após longas disputas logísticas na Argentina, foca seu tempo na interação com o solo e na recuperação de traumas físicos adquiridos em picadeiros. 
  • Bambi: Uma das fêmeas mais maduras, possui limitações visuais e físicas graves causadas por maus-tratos antigos, necessitando de manejo médico constante.
  • Guillermina: Com 25 anos, nasceu no Ecoparque de Mendoza (Argentina). Viveu em um cubículo de concreto estreito com sua mãe Pocha antes de ser livre. É a fêmea mais jovem ao lado de Baby e possui forte instinto social.
  • Baby: Jovem e curiosa, atua frequentemente explorando novas áreas geográficas dos piquetes do santuário.




Logística, custos e políticas de funcionamento


O Santuário de Elefantes Brasil funciona como uma associação da sociedade civil e organização não governamental (ONG) sem fins lucrativos. A instituição não permite visitação pública de forma alguma. O objetivo central é o isolamento acústico e visual do público humano para eliminar o estresse crônico da exposição comercial de entretenimento pela qual esses animais passaram a vida toda. A rotina dos animais e os relatórios médicos são divulgados exclusivamente por meio de canais oficiais na internet. 

O custeio operacional é mantido inteiramente por doações de pessoas físicas, campanhas institucionais e apadrinhamentos simbólicos. Pessoas interessadas em ajudar podem realizar doações avulsas via Pix, cartão ou boleto a partir de R$ 10 ou aderir à campanha de adoção simbólica mensal de R$ 100 para cobrir gastos veterinários e alimentares. O santuário também mantém uma loja virtual com produtos temáticos cuja renda é revertida ao projeto. No caso de Sandro, os custos logísticos de transporte foram garantidos por campanhas de arrecadação organizadas por ativistas civis para evitar o uso de dinheiro público. 

A alimentação diária é pautada pelo estímulo à autonomia de forrageamento. Mais de 50% do cardápio advém da própria vegetação nativa, capim e brotos que os elefantes colhem caminhando. Para espécimes idosos ou com problemas de dentição crônicos, como Sandro e Bambi, as equipes preparam suplementações específicas de frutas picadas, trituração de fibras macias e administração de medicamentos inseridos em alimentos palatáveis.



Santuário dos Elefantes 


A transferência de elefantes idosos ao santuário acirra debates entre gestores de zoológicos tradicionais, biólogos e ambientalistas. Críticos apontam que o local registra taxas de mortalidade alarmantes de animais pouco tempo após o resgate. Um dos casos que inflamou as discussões foi a morte das elefantas africanas Pupy e Kenya, ocorridas entre outubro e dezembro de 2025. Pupy faleceu subitamente seis meses após dar entrada no local, enquanto Kenya morreu quatro dias depois devido a complicações respiratórias e articulares agudas. 

Devido a esses óbitos, a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema-MT) e o Ibama chegaram a suspender temporariamente a licença de operação do santuário no final de 2025. O santuário contestou publicamente a medida, classificando-a como "apressada" e movida por pressões e notícias falsas de opositores que visavam descredibilizar o projeto. Em fevereiro de 2026, após análises sanitárias laboratoriais descartarem a presença de bactérias do complexo Mycobacterium tuberculosisnas amostras ambientais, a licença foi totalmente restabelecida por falta de riscos biológicos à fauna local. O Ibama mantém investigações de monitoramento abertas, uma vez que os laudos definitivos das necropsias das duas elefantas não apontaram negligência de manejo, mas sim falências generalizadas decorrentes de problemas crônicos acumulados ao longo de décadas em cativeiro urbano inapropriado. Defensores e biólogos do santuário argumentam que os animais resgatados chegam em condições geriátricas extremas e que oferecer meses finais de autonomia real na natureza é preferível à manutenção prolongada do confinamento em jaulas tradicionais. 




Pupy e Kenya quando viviam no Santuário dos Elefantes 


Detalhamento dos Laudos Técnicos (Pupy e Kenya)


As investigações e exames laboratoriais pós-morte realizados pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) elucidaram o real quadro clínico que levou ao óbito das elefantas africanas resgatadas da Argentina: 


  • Laudo de Kenya (44 anos): A autópsia revelou um quadro severo de tuberculose em estágio avançado. Os patologistas constataram que a bactéria causadora da doença permaneceu latente por décadas e se manifestou de forma agressiva devido ao desgaste natural da idade. O animal apresentava lesões severas nos pulmões, degeneração nas articulações (decorrente de artrose crônica) e deformações nas patas originadas por quatro décadas de confinamento em pisos inadequados de zoológico. 


  • Laudo de Pupy (35 anos): O exame descartou tuberculose e indicou que a elefanta sofreu um colapso cardiovascular e gastrointestinal repentino. Nos dias anteriores, Pupy apresentou desconforto estomacal e chegou a expelir 1,5 kg de pedras escuras nas fezes. A análise laboratorial apontou que o animal sofria de síndrome de pica (ingestão compulsiva de objetos inadequados, como pedras e terra compactada), um distúrbio comportamental grave desenvolvido durante o estresse crônico do cativeiro anterior de Buenos Aires. A obstrução intestinal massiva sobrecarregou o sistema circulatório, levando ao choque fatal. 


Ambos os relatórios técnicos comprovaram às autoridades governamentais que as mortes foram causadas pela falência de órgãos decorrente de patologias pré-existentes e irreversíveis adquiridas ao longo de vidas inteiras de confinamento urbano, isentando o SEB de acusações de manejo negligente. 

A rota logística e tecnológica dos 1.615 km de Sandro


A transferência de Sandro exigiu um planejamento milimétrico de engenharia e medicina veterinária ao longo de 60 horas de deslocamento rodoviário: 


  • A Estrutura de Transporte: Sandro viajou acondicionado em uma carreta container especial de 26 metros de comprimento. A estrutura metálica contava com paredes de isolamento acústico para abafar o barulho de turbulência dos motores na estrada e amortecedores hidráulicos reforçados para atenuar o impacto dos buracos nas rodovias.


  • Monitoramento Termal e por Telemetria: No interior da caixa, foram instaladas câmeras de visão térmica infravermelha interligadas à cabine de comando e ao veículo de escolta técnica. Através delas, médicos veterinários monitoravam a temperatura corporal de Sandro em tempo real. Elevações bruscas na radiação térmica indicariam estresse severo ou febre, o que dispararia uma parada de emergência do comboio.


  • A Rota e Paradas Estratégicas: O trajeto teve início em Sorocaba (SP), cruzou o estado de Mato Grosso do Sul pela rodovia BR-262, passou por Campo Grande (MS) e avançou rumo ao Mato Grosso via BR-163 até alcançar a Chapada dos Guimarães. Paradas técnicas de 40 minutos eram realizadas rigorosamente a cada duas horas em postos previamente mapeados com infraestrutura de água e energia trifásica.


  • Alimentação Estratégica na Estrada: Pela perda total de sua dentição, a alimentação ao longo dos 1.615 km foi adaptada. A equipe veterinária ofereceu baldes de frutas moles (melancias fatiadas, bananas e mamões maduros) misturadas a um volumoso de capim triturado mecanicamente e umedecido com água de coco, garantindo a hidratação e nutrição do idoso Sandro sem que ele precisasse mastigar fibras duras. O animal permaneceu estável e manteve ingestão voluntária durante toda a expedição. 


As Expectativas de Futuro no Santuário: O Horizonte de Sandro e Baby


Com a chegada histórica de Sandro e a consolidação de Baby no Santuário de Elefantes Brasil (SEB), as projeções para o futuro dos animais e as discussões sobre o modelo de conservação dividem-se em diferentes visões técnicas e emocionais:


  • A Equipe do Santuário (Veterinários e Biólogos do SEB): A expectativa principal é a recuperação da autonomia e o fim dos comportamentos estereotipados (como o balançar repetitivo de cabeça comum em cativeiros urbanos). O presidente do SEB, Raphael Bontempi, explica que os primeiros indicadores de sucesso na adaptação são visíveis na mudança drástica da cor da pele, quando o animal passa a tomar banhos espontâneos de lama e poeira para se proteger do sol,  e no afloramento da curiosidade em explorar a vegetação nativa. Para Sandro, especificamente, os veterinários projetam uma melhora significativa nas dores crônicas das patas e unhas, uma vez que o solo arenoso e macio do cerrado reduz o impacto mecânico sofrido por décadas nos pisos de concreto do zoológico. Além disso, a equipe foca no monitoramento do estímulo sensorial: embora Sandro esteja em uma ala separada de machos, ele já consegue ouvir, cheirar e se comunicar por vocalizações com as fêmeas, incluindo Baby e Guillermina, quebrando o isolamento social severo que sofria desde 2020.


  • A População de Sorocaba e Defensores Tradicionais: Entre os moradores locais, as expectativas são polarizadas. Uma parcela expressiva da comunidade, que via Sandro como o maior patrimônio vivo e símbolo afetivo da infância na cidade,  manifestou profunda preocupação e ceticismo em relação à sobrevivência de um animal idoso em uma viagem tão longa. O sentimento de perda da identidade cultural do zoológico gerou protestos inflamados e vigílias. No entanto, após a transmissão das primeiras lives que mostraram Sandro caminhando livre e demonstrando vitalidade ao "passar a noite fora" na mata, parte da população converteu a angústia em alívio e em votos de uma merecida aposentadoria digna ao animal. 


  • Ambientalistas e Ativistas de Direitos Animais: Para as ONGs que moveram as ações civis públicas, o sucesso da transferência de Baby e Sandro estabelece um precedente jurídico e ético definitivo no Brasil. A expectativa dos ativistas é usar este caso como alavanca política para acelerar o debate nacional sobre o fechamento de grandes recintos de mamíferos em zoológicos tradicionais. O objetivo é pressionar para que outros animais solitários em situações análogas pelo país recebam autorização judicial para migrar para santuários naturalizados. Eles enxergam os próximos anos de Sandro e Baby como a prova viva de que o bem-estar animal deve se sobrepor ao direito de exibição pública e entretenimento humano. 


  • Biólogos e Opositores de Modelos de Santuário (Críticos Técnicos): Cientistas e diretores de parques zoológicos tradicionais mantêm uma postura de alerta e cautela rigorosa. Baseados nas mortes recentes de Kenya e Pupy em 2025, a expectativa desses profissionais é que os primeiros seis meses de Sandro exijam vigilância extrema devido à sua saúde geriátrica. Eles ponderam que a adaptação a um ecossistema com variações climáticas severas, como as da Chapada dos Guimarães, e a transição para uma alimentação de forrageamento podem sobrecarregar um organismo que passou 44 anos condicionado a rotinas artificiais. O foco de expectativa desse grupo é técnico: monitorar se a ausência de intervenções invasivas rotineiras de zoológicos será suficiente para manter estáveis as funções metabólicas e cardíacas de Sandro e a estrutura social das fêmeas com a inserção indireta de um macho no ambiente.


A chegada do elefante Sandro ao Santuário de Elefantes Brasil (SEB), em Mato Grosso, ocorreu na tarde da última sexta-feira, 18 de setembro de 2026. O seu desembarque e comportamento nesses primeiros dias surpreenderam positivamente toda a equipe veterinária e os biólogos da instituição. 


A chegada histórica e os primeiros momentos

  • Saída voluntária relâmpago: Assim que a caixa de transporte foi aberta, às 13h31 de sexta-feira, Sandro levou menos de um minuto para sair de forma completamente espontânea. A rapidez impressionou a equipe, já que animais geriátricos costumam hesitar por horas antes de pisar no novo solo. 
  • O banho de terra imediato: Nos primeiríssimos minutos fora da caixa, Sandro caminhou direto para um monte de terra fresca e passou quase 40 minutos jogando poeira e terra sobre o próprio corpo. Esse comportamento natural de esfoliação serve para proteger a pele contra o sol e os insetos, sendo um forte sinal de relaxamento e bem-estar. 
  • Fazendo lama: Demonstrando instinto apurado, ele também misturou terra com água para produzir lama e se refrescar da temperatura elevada do cerrado mato-grossense. 


Sandro passou sua primeira noite dormindo completamente ao ar livre na mataSandro tornou-se o primeiro macho acolhido pela instituição, que já abriga seis fêmeas. Ele viverá em uma área ampla e cercada de natureza, separada das fêmeas por estruturas que permitem interações visuais e sonoras seguras. Nos seus primeiros dias, o animal demonstrou grande curiosidade, passando horas explorando o espaço e tomando banhos de terra e lama. No cativeiro anterior, ele era recolhido todas as noites para uma casa fechada com piso de concreto. Agora, ele tem demonstrado grande entusiasmo e passou o final de semana caminhando e explorando áreas maiores com vegetação nativa do cerrado.

Segundo o diretor do SEB, Scott Blais, essas caminhadas voluntárias estão sendo ótimas para estimular a musculatura e as articulações do animal, que apresentam fraqueza crônica e sinais visíveis de artrite nos quadris e joelhos devido às décadas de sedentarismo urbano.

Sandro foi alojado no habitat exclusivo para machos asiáticos. O piquete de adaptação fica estrategicamente próximo ao setor das fêmeas (onde estão Baby, Guillermina e as outras). Embora fiquem separados por cercas seguras para evitar reprodução, Sandro já consegue ouvir as vocalizações, sentir o cheiro e manter contato visual com elas. Especialistas afirmam que ele demonstra muita atenção aos sons e rumbles emitidos pelas elefantas.

O animal tem mantido um excelente apetite. Ele está recebendo sua dieta regular pastosa e picada e, por estar abaixo do peso ideal, a equipe veterinária incluiu porções extras de frutas moles para ajudá-lo a recuperar massa de forma saudável


O Santuário de Elefantes Brasil é uma ONG sem fins lucrativos que não permite visitação pública, mantendo-se por doações e apadrinhamentos para preservar o bem-estar dos animais. Mais de 50% da alimentação vem da vegetação nativa, complementada por suplementos para idosos.


Independentemente dos protestos da população local ou das justificativas técnicas de biólogos tradicionais e opositores, que alertavam que 'o estresse do transporte de longa distância e a mudança de rotina poderiam causar um colapso fatal na saúde geriátrica do animal', a transferência de Sandro para o cerrado representa o encerramento definitivo de uma era de exibição pública e o início de uma vida focada exclusivamente na dignidade e na autonomia de um gigante que passou mais de meio século sob o controle humano."




A chegada de Sandro ao Santuário de Elefantes Brasil coroa uma trajetória de superação jurídica e técnica, simbolizando um marco para os direitos animais no país.



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