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A engrenagem que transformou proteção animal em império.

Conexões com a Operação Castratio, calotes contratuais e um salto patrimonial de 51 milhões colocam as ONGs do bloco político sob fogo cruzado.

Polícia Federal / Metrópoles
 A engrenagem que transformou proteção animal em império. Redação


O elo das fraudes na causa animal e os cães fantasmas
Os novos desdobramentos da apuração sobre os R$ 11,7 milhões direcionados por Bruno Lima revelam que o esquema cruzou fronteiras estaduais. A Polícia Federal identificou que prestadores de serviços contratados pela CHC em São Paulo são os mesmos alvos de busca e apreensão da Operação Castratio no Rio de Janeiro, que investiga fraudes de R$ 193 milhões em 19 contratos de castração. O cruzamento de dados bancários confirmou que o mesmo modus operandi de inflar metas, utilizando chips duplicados e CPFs de pessoas falecidas,  operava de forma casada nos dois estados para justificar repasses fraudulentos.
Em contrapartida, as defesas dos parlamentares negam qualquer irregularidade. A equipe do deputado federal Bruno Lima argumenta textualmente que a destinação das emendas cumpriu estritamente todos os ritos legais previstos pela administração pública. Salienta, ainda, que eventuais falhas operacionais ou cadastrais detectadas na execução final dos serviços em campo são de responsabilidade fiscal e civil exclusiva da entidade executora (CHC).

A esteira das ONGs de prateleira

A engrenagem do bloco político ganhou contornos de fraude em 22 de janeiro de 2024. Documentos de cartório mostram que, nessa data exata, o Instituto Gestão (cuja ficha cadastral pode ser verificada publicamente no Jusbrasil) e a ONG Gaari (CNPJ 24.385.029/0001-44) transferiram seus comandos para Patrícia de Jesus Nogueira. A investigação trabalhista comprovou que ela atuava como recepcionista na clínica particular de Edson da Paiol.
Ao usar o CNPJ do instituto (criado em 11 de outubro de 2011 para consultoria empresarial) e alterar sua atividade principal para serviços veterinários (CNAE 75.00-1-00), o grupo simulou ter 15 anos de fundação. A estratégia visava capturar contratos milionários sem comprovar a experiência exigida pelo Marco Regulatório das Organizações da Sociedade Civil (OSCs), a exemplo do repasse de R$ 627.122,25 por mês (Processo 061135/2025), publicado na Edição nº 2611 do Jornal Oficial de São Bernardo do Campo em 20 de fevereiro de 2026. Para capilarizar os serviços, a rede abriu filiais em Santa Isabel, em 18 de dezembro de 2025 (CNPJ 14.570.260/0002-98), e em Tupã, em 3 de junho de 2026 (CNPJ 14.570.260/0003-79). Os dados estruturados sobre as fundações desta OSC podem ser auditados abertamente pelo site oficial do Mapa das OSC - IPEA.

A guerra dos 51 milhões e as emendas políticas

A explosão patrimonial de Edson da Paiol acendeu o alerta dos investigadores após ele declarar ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) um salto drástico em seus bens: de R$ 256.000,00 em 2022 para R$ 9.500.000,00 em 2024, atingindo R$ 51.000.000,00 declarados agora, em agosto de 2026. Desse montante atual, R$ 40.000.000,00 correspondem exclusivamente a quotas de capital de suas 34 clínicas particulares. A suspeita inicial era que os mutirões "gratuitos" financiados por emendas de Bruno Lima, como o aporte de R$ 4.000.000,00 enviado a Hortolândia em 3 de outubro de 2025 e a articulação de R$ 2.500.000,00 em Diadema, anunciada em 12 de maio de 2026,  funcionavam como fachada promocional para captar clientes para sua rede privada.
Contudo, em esclarecimento oficial prestado diretamente à coluna do portal Metrópoles, Edson da Paiol (PODEMOS), comprovou a regularidade de sua evolução patrimonial. O candidato detalhou que a aparente disparidade decorreu puramente de uma atualização contábil de bens preexistentes, explicando textualmente que "notificou o tribunal e as clínicas já existiam, mas, de forma simplificada, informou apenas uma estimativa". Ele reiterou, ainda, que foi apenas o idealizador voluntário da ONG Gaari, jamais integrando sua mesa diretiva oficial.
Em paralelo, as ações institucionais e de conscientização lideradas pelo deputado Felipe Becari continuam a gerar grande engajamento público, impulsionando de forma legítima o debate sobre as demandas do setor pet em todo o estado de São Paulo. Nos bastidores, o antigo dono do CNPJ do Instituto Gestão, Jorge Sales de Carvalho, moveu processos judiciais cujos andamentos cíveis de responsabilidade fiscal e contratos podem ser consultados por qualquer cidadão na página de registros unificados do Escavador. Toda a movimentação orçamentária de convênios e emendas de custeio federal de autoria dos deputados pode ser rastreada diretamente no Portal da Transparência do Governo Federal.

O caso Niebla em Brasília e o cerco institucional

A crise operacional do grupo atingiu o topo federal com o trâmite na Justiça e o Boletim de Ocorrência registrado em 19 de junho de 2026 pela professora Delara Josefina Rojas. A tutora denunciou negligência após sua cadela Shih Tzu, Niebla, de 2 anos, morrer em um mutirão de castração realizado em 9 de junho de 2026 nas proximidades da Biblioteca Nacional de Brasília. O evento estava inserido no cronograma da Semana Nacional do Meio Ambiente (8 a 11 de junho de 2026). A ação macro visava atingir 8.000 castrações gratuitas entre junho e julho de 2026 no Distrito Federal, sob a gestão orçamentária do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), que repassou as cotas contratuais via FIOTEC (Fiocruz), subcontratando o Instituto Gestão para os serviços técnicos da unidade móvel.
O episódio revelou grave desorganização administrativa: por falhas sistêmicas, a ficha cirúrgica não foi impressa e o animal foi operado sem triagem adequada. No dia seguinte ao óbito (10 de junho), a tutora ainda recebeu uma mensagem automatizada com instruções pós-operatórias, provando que o sistema sequer registrou a morte da cadela. Dois dias depois, em 11 de junho, o MMA alterou as normas do projeto para proibir práticas vigentes.
O ocorrido gerou desgaste político para Vanessa Bicho Negrini (PT-DF), candidata a deputada federal pelo partido (número eleitoral 1324), servidora do TJDFT, doutora pela UnB e idealizadora dos programas federais ProPatinhas e SinPatinhas no cargo de diretora de Direitos Animais do MMA. A cobrança pública sobre Vanessa se intensificou nas redes sociais por chancelar a execução do programa ProPatinhas por frotas sem fiscalização local rígida. Detalhes institucionais das campanhas, agendas oficiais e atos regulatórios da pasta federal podem ser checados no site de representação civil Vanessa é o Bicho e pelas portarias federais publicadas na página de comunicados do Governo Federal / MMA.
  • A Defesa do Instituto Gestão: A Organização da Sociedade Civil (OSC) negou imperícia e afirmou ter seguido estritamente todos os protocolos cirúrgicos, biológicos e profissionais. A banca jurídica do IG defendeu textualmente que intercorrências cirúrgicas e pós-anestésicas podem ocorrer devido a fatores orgânicos imprevisíveis de cada paciente animal.
  • A Posição da FIOTEC e do MMA: A fundação declarou que o certame cumpriu os critérios burocráticos vigentes, enquanto a pasta federal informou monitorar os laudos técnicos junto aos parceiros para resguardar as diretrizes de bem-estar animal.

O travamento nacional de megaeditais

Para além de São Paulo e Brasília, a banca jurídica do Instituto Gestão passou a adotar uma postura agressiva para congelar orçamentos nos municípios onde não possuía vantagem técnica. No Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ), o conselheiro Marcelo Verdini Maia acatou uma representação da entidade em 7 de janeiro de 2026, suspendendo o Chamamento Público nº 12/2025 em Maricá e bloqueando um contrato de R$ 33.293.973,44 destinado à gestão do Hospital Veterinário e do Samu-Vet.
O mesmo movimento travou a implantação da clínica municipal de Ponta Grossa. A íntegra do despacho oficial de paralisação emitido pela corte de contas paranaense sob o Despacho nº 1245/26 pode ser baixada e visualizada diretamente pelo endereço de arquivo oficial do Tribunal de Contas do Paraná. Em âmbito regional, a teia expandiu-se também ao Ceará, escoando verbas na UPAA Lessa, no Crato, com balanços de 50.000 procedimentos apresentados em julho de 2026, amparados pelas novas legislações de bem-estar descritas publicamente na base de dados legislativos do Sistema de Normas Jurídicas do DF.

Este veículo de imprensa pauta sua atuação estritamente sob os princípios constitucionais do livre exercício da atividade jornalística, do direito à informação e do interesse público (Art. 5º, XIV e Art. 220 da CF/88). Esclarecemos que todas as informações, cronologias societárias, andamentos de editais e dotações orçamentárias descritos nesta reportagem decorrem de dados extraídos de portais oficiais de transparência governamental, registros cartorários e distribuições públicas de processos junto ao Poder Judiciário e Tribunais de Contas. Amparado no princípio constitucional da presunção de inocência, este portal ressalta que as investigações e auditorias citadas encontram-se em fase de apuração técnica por parte das autoridades competentes, não pesando condenação definitiva contra nenhum dos envolvidos. Em cumprimento ao rigor ético, este jornal assegura o amplo espaço de manifestação e manteve a fidedignidade de todas as manifestações, notas e justificativas enviadas pelas assessorias de defesa jurídica e contábil das partes citadas.


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